quinta-feira, abril 10, 2008

troca do trocado

De repente trocou,
e quem ela esperava,
foi quem esperou.
Ela riu,
se fez de ameaça,
do certo, duvidou.
Sem pureza,
se fez de santa.
Espantou,
calou,
dominou.
Se fez de advogada,
pra no final ser condenada.

quarta-feira, abril 09, 2008

crise de existência

E em tempos de crise, ela faz seu primeiro contato com um desconhecido.

ELE - Oi, tudo bom?
ELA - Oi, tudo ótimo! E com você?

(Como é falsa ela!)

ELE - Vou bem. Quem é você?
ELA - EU? QUEM SOU EU?
ELE - sim, quem é você?
ELA - Mas você quer dizer: quem sou eu ou quem estou eu?
ELE - Como assim quem está você? Quero saber QUEM você é!

( Logo ele imagina como ela é perturbada!)

ELA - Bom, infelizmente não posso lhe dizer quem eu sou, mas o nome que me deram é Sophia. E o que te deram, qual é?
ELE - Eu sou o Marcelo.
ELA - Que bom que pelo menos um de nós sabemos quem realmente somos.
ELE - Não entendo o que você quer dizer..
ELA - Bom, o estado que meu espírito se encontra no momento é esse que você está conhecendo, com nome de Sophia e com a carne e o osso de alguém. Já pensou se esse corpo irregular não fosse pra ser meu? Ando meio preocupada com isso!
ELE - Você tem algum problema mental?
ELA - Você é psiquiatra?
ELE - NÃO!
ELA - Então você não pode me diagnosticar, porque ajudar, acho que nem médicos podem.
ELE - Você me assusta!!!
ELA - ISHI! Não conheceu nada ainda! Mas olha só, tô indo nessa, não quero te dar o desprazer de conhecer isso aqui. Até porque, ISSO, nem eu conheço!

Crônica de uma mente inabalável

15h. Me acordo completamente desnorteada e durante alguns minutos permaneço alí, deitada estática, pensativa. Percebo que nada vai bem.
Tomo café, sem a mínima fome, me satisfaço com duas mordidas no pão. Jogo fora as sobras - "ninguém vai querer comê-las mesmo!". Continuo só no café, coloco um cd de Chico Buarque, acendo um cigarro e, ainda com cara de sono, vou à janela.
Passo o cd inteiro observando as pessoas e seus comportamentos - "será que eles são felizes como parecem?" e, automaticamente, começo a me observar.
Quanta complexidade encontro no caminho do conhecimento do meu próprio eu. "Como uma pessoa pode ser assim?COMPLEXA!". É difícil perceber que eu conheço muito das pessoas e pouco conheço a mim mesma.
Meu amigos nunca vão saber quando estou de verdade triste, o sorriso está sempre estampado do rosto. A pessoa amada nunca vai ter certeza se um dia foi amada de verdade, já que quando me canso, esqueço em dois tempos. Minhas palavras nunca serão suficientes, já que meus atos , algumas vezes, me contradizem. Mas também, o que se pode pensar de uma pessoa que pensa muito em constituir família, mas seus 2 filhos serão por inseminação artificial e outro por adoção, só porque esta alma caridosa quer reservar seu espaço no céu. (?)
"Será que um dia tive amor nesse coração?". Não sei, mas pretendo descobri-lo antes de ser cremada.
Não sou ao todo uma pedra de gelo, já fui pior, garanto. Acho que tenho regredido. As pessoas todas passam por mim e eu fico ali parada, esperando alguém me dizer qual é o caminho certo. Ao mesmo tempo, quero tropeçar nas pedras, me reerguer feliz e perceber que sim, o caminho é duro, mas que quem vai olhar pro me chão, sou apenas eu.
Sempre estive no controle da minha mente, mas parece que não dessa vez. Ando pela sala, fumando um cigarro após o outro, como se esperasse ansiosa por alguma coisa surpreendedora. Nada acontece. Deito no sofá e por 5 minutos, milhões de pensamentos ficam a me assombrar. Lembro-me de projetos, trabalhos, provas. Me incomodo e levanto. Troco o cd, ligo a tv, mudo o canal, nada de extraordinário me envolve.
Desligo tudo, me isolo, amo ficar sozinha com meus pensamentos. Tento, compulsivamente, espantar meus fantasmas. Sinto todo meu peito se apertar. Choro silenciosamente, sangro por dentro. Mas sei: ninguém pode me salvar.

Será esse o caminho?

Hoje alguém leu de verdade a minha mão. De forma superficial, mas entendida. Falou sobre três assuntos: Vida, amor e finanças. Falou que...